A criação artística é construída tanto por elementos físicos como aqueles oriundos da sensibilidade. Esses elementos dependem do contexto existencial do artista e estão relacionados ao tempo da criação. O artista acolhe o mundo em seus processos e a criação acaba se tornando resultado dessas apreensões. As situações do tempo, portanto, fornecem dinamismo à criatividade propondo um caminho para a ação artística. A tecnologia, ícone fundamental interagindo com outros meios de comunicação, trouxe para a arte características tecnológicas, mas não a criação-produto da sensibilidade do artista.
O mundo tecnológico molda o comportamento do homem, fornecendo direções para as elaborações de seu pensamento e ações. A condição humana é expandida pelas tecnologias, e faz com que a ação e o pensamento estejam acoplados aos meios digitais.
A sensibilidade artística é outra fonte de recursos formadores para o ato criativo. O artista tem o seu modo de perceber e as situações vividas resultam em experiências de vida. Como cada artista tem percepções diferentes, a sensibilidade seleciona as impressões recebidas, proporcionando aquisições singulares.
A sensibilidade é, portanto, uma forma de raciocínio, tema abordado por diversos autores. Os elementos absorvidos tornam-se responsáveis pelo desenvolvimento da obra, trazendo significados para a obra de arte.
O processo criativo é definido como um percurso de trabalho, onde a criação é uma rede em movimento e constante construção. Ao longo desse percurso, percebemos que toda ação do artista apresenta um propósito e seu resultado leva a outra ação. Cada nova interação amplia o pensamento criativo, pois o artista obtém conhecimento com cada uma delas. O crítico ou alguém que a analise, compreende a rede de pensamento do artista ao longo do processo.
A manipulação dos erros e os acertos na criação podem ser traduzidos como tentativas onde acontecem as experimentações plásticas. Moldam assim, novas idéias que surgem através de novas formas imagéticas. O acaso são os acontecimentos que ocorrem durante o trabalho, permitindo ao
artista que novas possibilidades possam ser inseridas no processo de experimentação.
artista que novas possibilidades possam ser inseridas no processo de experimentação.
É nessa aparente confusão mental que a criação se manifesta, desde que aconteça a permissão do erro para o encontro de novos caminhos. Para isso, a ação e o silêncio promovem a pausa e a interrupção, elementos necessários para o movimento de idéias e o crescimento da criação.
As incertezas acontecem durante todo o nosso caminho para criar alguma ilustração ou outro elemento do design. Permitir que as incertezas aconteçam, é dispensar o que é dispensável.
O processo criativo pede novas experimentações, permitindo a evolução do trabalho, um percurso em movimento. Anotações, desenhos e outros movimentos do artista estão conectados, provando que existe um pensamento criador que busca o estabelecimento de relações para o seu desenvolvimento.
A construção do meu último trabalho incorpora, enfaticamente, os elementos sensoriais da proposta: a foto antiga retrata as lembranças de um tempo, vividas agora somente por recordações e lembranças e, no processo criativo, são transformadas em cores apagadas registradas na viragem sépia da fotografia da capa. A tipologia por sua vez, adere formas curvilíneas, pois incorpora o romantismo e a delicadeza ao nomear estes momentos.
